BUENO, Ricardo
Henrique[1]
SOUZA, Anderson
Wesley de Lima[2]
RESUMO
Neste trabalho,
realizou-se uma abordagem a respeito das práticas de ensino de Geografia
referentes às atividades curriculares do estágio supervisionado no Colégio
Unidade Pólo de Campo Mourão - PR no ano de 2012. Buscou-se por meio destas
atividades, compreender como os alunos correlacionam os conteúdos de Geografia
com informações transmitidas por veículos midiáticos, sejam eles impressos,
televisivo ou via internet. A ideia central pautou-se na questão polêmica do
aquecimento global, muito amplamente divagada pelos meios de comunicação e em
muitos casos sem cunho cientifico. Desta maneira, para a consumação desta
pesquisa, realizaram-se aulas expositivas aos alunos apresentando-se os pontos
de vista relativos ao aquecimento global. Este, por sua vez, trata-se de um
tema complexo e muitas vezes mal trabalhado em sala de aula. Portanto, por meio
deste estudo, procurou-se instigar o interesse dos alunos pelos conteúdos de Geografia
e associa-los às reportagens transmitidas pela mídia.
Palavras chave: Alunos. Professores. Era da informação.
[1]Licenciado e Bacharel em Geografia, Estudante de Pós Graduação em Geografia na Universidade Estadual de Maringá – UEM buenogeography@gmail.com
[2] Licenciado e Bacharel em Geografia, limabacharel@gmail.com
1 INTRODUÇÃO
A
presente pesquisa realizou uma abordagem entorno de um tema amplamente debatido
e apresentado às pessoas de modo muitas vezes equivocadamente, que é o
aquecimento global. Este assunto é mal interpretado pelos alunos do ensino
médio que em muitos casos são levados a conceber como verdade as informações
repassadas pela mídia a respeito do fenômeno climático.
Fey
(2009) salienta que vive-se a era da informação e necessita-se transformar as
informações em conhecimento, Werthein (2000) alerta que “o foco sobre a
tecnologia pode alimentar uma visão ingênua de determinismo tecnológico”, ou
seja, a sociedade contemporânea conta com inúmeros aparelhos tecnológicos
fornecedores de informações e estas informações podem levar a uma interpretação
errônea da realidade.
Neste
sentido, este artigo resultou-se do cumprimento das atividades da disciplina de
Atividades Curriculares de Estágio em
Geografia II pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão e
teve como principal objetivo entender como os conteúdos da disciplina de
Geografia estão presentes no cotidiano dos alunos e são apresentados
diariamente por meios veiculadores de informações, tais como a TV, internet,
rádios, jornais impressos e revistas.
O
estudo pautou-se principalmente em discussões em sala de aula e por meio de
atividades que diagnosticaram a princípio como os alunos compreendem o
aquecimento global, posteriormente realizaram-se as aulas expositivas e as
discussões em sala fundamentando assim, uma base teórica e cientifica aos
alunos, pois, as versões transmitidas pela mídia seriam trabalhadas e
confrontadas pelos estudos científicos publicados.
Por
fim, verificou-se qual a visão previa dos alunos em relação ao tema proposto e
comparou-se se houve mudança na concepção dos alunos em relação ao tema
trabalhado e se os alunos perceberam como um conteúdo que o professor da
disciplina de geografia pode trabalhar é amplamente discutido na mídia.
2 INFORMAÇÃO X CONHECIMENTO
No
atual cenário da era da informação, de acordo com Fey (2009) e Cazetta (2011),
é necessário que se tome cuidado ao interpretar uma informação e tomá-la como
verdade. Em um planeta tomado pelas desigualdades sociais, leva-se vantagem
àqueles povos que possuem desenvolvimento econômico elevado, portanto, estes
são os que se beneficiam de toda a informação, manipulando e transmitido de
acordo com seus interesses econômicos e hegemônicos.
Por
conseguinte, deve-se voltar à atenção às sociedades menos favorecidas, em razão
das informações que lhes são transmitidas pela mídia corporativista procurando-se
encontrar em seus discursos a real intenção e não ser pego em um mundo de
alienação e que atenda necessariamente aos interesses do capital.
Observa-se,
por exemplo, o motivo de sempre aparecer propagandas de todos os tipos na
programação televisiva, ou no meio de uma partida de futebol, procure-se ater
as noticias do futebol sempre sendo apresentadas após um escândalo político,
ora, cada ação desta está intimamente relacionada aos interesses pessoais ou de
empresas que lucram com este tipo de informação repassada. O interessante para
os que lucram, é causar desejo pelo produto oferecido na propaganda, e de
esquecer os problemas políticos enfrentados pelo país com as noticias do
futebol que são apresentadas como a principal distração do povo.
Deste
modo, o objetivo das grandes corporações midiáticas é o de formar uma sociedade
alienada, na qual esta, aceite como verdade apenas o conteúdo transmitido pelos
veículos de comunicação, sem que ao menos façam uma analise crítica destas
informações. A frutificação desta ação é gerar o desinteresse das pessoas em
buscar o que realmente pauta-se por trás destas ações dos meios de comunicação,
sendo que isto reflete-se diretamente nos estabelecimentos de ensino.
Salienta-se
aqui o problema enfrentado na atualidade pelo desinteresse pelos conteúdos de
geografia, Nunes (2004), Oliveira (2006) e Ferreira et al (2007), ao qual se manifesta a todo o momento por uma grande
parte dos alunos das séries finais do ensino fundamental e médio.
Em
meio a isso, o aquecimento global passou a ser nos últimos anos algo muito debatido,
assim como o crescente apelo pelas questões ambientais. Segundo Barbosa (2010),
o assunto tornou-se mais frequente em 2007 pela divulgação do 4º relatório do
IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
Para
Barbosa (2010), a repercussão gerada pela divulgação do relatório publicado
pelo IPCC foi amplificada nos meses seguintes pela televisão, cinema, rádio,
literatura, música, algumas vezes de maneira ambígua e duvidosa, sugerindo
atitudes chamadas por alarmistas de catastróficas e oportunistas.
A
maioria dos noticiários apresenta como a principal causa do aquecimento global o
aumento do gás carbônico (Co2) lançado na atmosfera, desta maneira, muitas
empresas beneficiam-se destas informações para produzirem novos produtos que
visam à diminuição do Co2 lançado na atmosfera, como é o caso do ramo
automobilístico.
Quase
diariamente os noticiários apresentam alguma noticia relacionada ao aquecimento
global, revistas impressas trabalham a temática, produtos utilizados no cotidiano
das pessoas são produzidos em função da diminuição do aquecimento global. O
exemplo disso cita-se o mercado automobilístico, pelo qual é crescente o número
de veículos produzidos com os chamados selos verdes e os motores híbridos ou ecotec.
Entre
outros inúmeros fatores, o aquecimento global lança-se para o senso comum como
um possível “apocalipse[3]”
e tal tema acaba sendo mal trabalhado no cotidiano escolar, ou até mesmo
seguindo aos interesses capitalistas que a atual sociedade vivencia.
O
estudo da Geografia ajuda-nos a compreender melhor as alterações que ocorreram
e ainda ocorrem no espaço geográfico brasileiro (FERREIRA, 2005), nos dizeres
deste autor, compreender a importância em dominar os conteúdos da Geografia
para as adaptações do homem relacionadas ao meio onde se inserem.
Pode-se
por intermédio das aulas da disciplina de Geografia compreender as interações
existentes entre natureza e a sociedade. Neste sentido, a disciplina de Geografia
passa a ser um importante meio de obtenção do conhecimento a respeito das relações
ocorridas acerca do homem, sejam relacionadas à dinâmica natural do planeta,
social e envolvendo a sociedade e a natureza.
A
necessidade de entender os fenômenos naturais instiga o homem desde os
primórdios, o que muitas vezes levou o homem a desenvolver técnicas e
mecanismos que melhorassem a vida das pessoas. O espaço passou a ser
considerado o campo de relações entre homem e meio ambiente e do próprio homem
consigo mesmo, pois, este é o objeto de estudo da disciplina geográfica, o
espaço geográfico é aquele onde ocorrem as transformações, as interações e o
desenvolvimento da humanidade acontecem. (SANTOS, 1985).
Sendo
a Geografia, uma disciplina que abarca inúmeros fenômenos, os conteúdos desta
disciplina são facilmente disseminados pelos meios de comunicação em massa e
com isto os alunos estão a todo o momento recebendo informações que podem ser
trabalhadas em sala de aula.
Deste
modo, o professor estará desenvolvendo o olhar critico do aluno e trazendo a
interação dos fenômenos ao mesmo tempo para o aluno, contudo deve-se realizar
uma analise detalhada da informação a ser repassada aos alunos, eliminando
qualquer informação que venha carregada de ideologia.
Em
uma época que a informação se faz tão presente no cotidiano das pessoas, todo o
esforço de buscar entender esta, é de fundamental para que não se caia em uma
ideologia dominante.
Conforme
já mencionado, cada emissora transmite a informação a sua maneira, ou seja,
envolto de uma carga ideológica que atenda única e exclusivamente aos seus
interesses comerciais.
Segundo
Ferreira (2005), todas as ações do cotidiano se desenvolvem no espaço, todo o
conhecimento proveniente para organização dos territórios neste espaço circula
pelo espaço geográfico, ou seja, há um fluxo de informações que ocorre em nosso
meio.
Ainda,
de acordo com o autor supracitado, a sociedade da informação depende da
capacidade tecnológica para conduzir e receber informações, pois, mesmo na atualidade
verificam-se civilizações desprovidas de recursos tecnológicos que possam
transmitir informações, ora, pois, pergunte a um seringueiro isolado no
interior da Floresta Amazônica o que ele viu no noticiário da noite passada, ou
qual foi à previsão do tempo para aquela região em que ele vive? Isto reflete
um pouco do poder econômico relacionado ao controle da informação ao domínio
das tecnologias.
De
acordo com Ferreira (2010) a sociedade vivencia um novo paradigma informacional,
desencadeado pelo advento da internet e pelo fluxo de informações que são
repassadas constantemente por este meio comunicacional.
As
informações que possuem vínculo aos conteúdos de Geografia são inúmeras, sendo
transmitidas quase diariamente pelos veículos de comunicação, no entanto, como
já mencionado, deve-se tomar cuidado com a carga ideológica apresentada em cada
discurso contido na reportagem.
Por
exemplo, um acontecimento que ganhou destaque mundialmente, que entrou para a
história na visão do senso comum como o maior atentando terrorista da
humanidade, o atentado terrorista aplicado pelo grupo Al Caeda aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, pelo qual a
mídia noticiou como sendo o maior ataque terrorista de todos os tempos, durante
dias com muito destaque no noticiário da TV, enquanto inúmeros outros
acontecimentos continuavam a ocorrer no mesmo período sem ter recebido o mesmo
destaque pela mídia.
Naquele
momento era mais interessante que as pessoas se chocassem com o que acontecia
com a nação norte-americana, para que outras situações internas no país
estivessem ocorrendo sem maiores contestações por parte da população.
Outra
importante analise deve-se realizar considerando-se que os Estados Unidos
provocaram destruição em inúmeros lugares do planeta, alterando o espaço
geográfico de nações, o que dizer, por exemplo, das 220 mil vitimas fatais de
Hiroshima e Nagasaki?
O
mesmo ocorre com a atual tendência do aquecimento global. Entende-se que
existem correntes de pensamento favoráveis e desfavoráveis ao assunto, no
entanto, como é mais viável disseminar a informação voltada para a catástrofe
global sem ao menos apresentar ideias que discutam o inverso ao aquecimento por
um viés cientifico, o que verifica-se portanto, é uma apresentação
sensacionalista sobre o determinado tema.
Outra
observação relaciona-se as noticias transmitidas em razão aos casos provocados
pelos deslizamentos, adjetivando-se a natureza como furiosa com o homem. Porém,
não trata-se de fúria da natureza, apenas de mau planejamento urbano, descaso
de autoridades e mau preparo de uma comissão técnica. Sem a devida informação e
recursos necessários a boa moradia, a população mais carente acaba indo ocupar
áreas impróprias acarretando posteriormente em mortes e destruição.
Deste
modo, o que deve-se considerar é que, as chuvas são fenômenos naturais que
sempre ocorreram e deslizamentos de encostas são muito mais comuns do que se
imaginam e não trata-se de uma tragédia, mas sim o descaso de autoridades, mas,
o modo como é transmitida a informação, manipula-se a opinião da sociedade.
Portanto,
observa-se que as notícias relacionadas aos conteúdos de Geografia são
disseminadas pela mídia a todo instante e torna-se necessário que o professor
da disciplina de Geografia conduza um trabalho com seus alunos relacionando os
conteúdos basilares do ensino de Geografia com as informações que são
repassadas pela mídia, seja a nível local, regional ou como no caso, global e trabalha-las
de maneira critica para que os estudantes compreendam a ideologia impregnada na
informação transmitida.
2.2 AQUECIMENTO
GLOBAL AS CAPAS DE REVISTAS
O
aquecimento global tem-se apresentado como uma noticia catastrófica
centrando-se uma discussão polêmica e como o causador de um provável apocalipse.
Desta maneira, grande parte das pessoas leigas referente ao assunto vive em
pânico com noticias que mostram furacões de grande poder destrutivo,
tempestades tropicais e extratropicais relacionadas ao aumento da temperatura
global, aumento do nível do mar e consequentemente desaparecimento de áreas
litorâneas e arquipélagos, populações inteiras desabrigadas na Ásia devido às
chuvas intensas, entre outras mudanças climáticas.
Comumente,
estas notícias possuem uma raiz, quase um estigma, o culpado de todos estes
transtornos e mortes seria o aumento do nível de gás carbônico lançado na
atmosfera, o que por sua vez potencializaria o efeito estufa levando a um total
descontrole dos fenômenos climáticos no planeta.
Para
Molion (2008) as presunções que fundamentam o aquecimento global ocorrem com
base em três hipóteses, pela série de temperatura observada nos últimos 150
anos, pelo aumento concentrado no nível de gás carbônico desde o ano de 1958 e
pelos resultados numéricos obtidos pelos simuladores de clima.
A
partir destes pressupostos, surgiu-se uma visão catastrófica de que o planeta
entraria em colapso climático, sobretudo, Molion (2008) discute criticamente as
hipóteses a respeito do aquecimento em seu artigo “Desmistificando o Aquecimento Global”.
Primeiramente,
o climatologo questiona o fato de que o homem possa interferir no efeito
estufa, sendo não comprovada cientificamente a intensificação do aumento da
temperatura média global a partir das atividades humanas.
Os
modelos matemáticos gerados pelo IPCC também são facilmente questionados,
principalmente por suas previsões serem limitadas e não justificarem as hipóteses
do aquecimento global antropogênico, e por fim, o resfriamento do globo
paulatinamente tem se tornado mais provável do que o aumento da temperatura, em
face do conhecimento que se tem do clima atual e sua variabilidade (MOLION,
2008, p.5).
Molion
afirma ainda que o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas)
apresenta alguns dados contraditórios chegando a afirmar que o planeta passou
por momentos de resfriamento e aquecimento em virtude das atividades solares,
sendo, segundo, Molion, o principal responsável pela variabilidade climática no
planeta.
Ao
longo do tempo, em particular no último século, as questões pertinentes à
variação climática ganharam um maior destaque, evidenciando-se cada vez mais
pela mídia. Exemplo disso é a capa da revista norte americana “Time”, que trazia estampada em sua capa
de 1945 a seguinte manchete: “The world
is sizzling” “O Mundo está escaldante”.
O
contexto nesta época era o final da Segunda Guerra Mundial e a industrialização
nos Estados Unidos avançava cada vez mais no cenário mundial, alavancando ainda
mais a economia do país. A reportagem fazia menção ao planeta com calor e os
acontecimentos desta época levaram as pessoas a acreditarem que as causas
daquele calor sentido por elas, tinham suas origens na Segunda Guerra Mundial.
Alguns
anos mais tarde, em 1977, a mesma revista trazia em sua capa outra manchete,
com os seguintes dizeres: “The big
freeze”, em português, “O grande congelamento”, em pouco mais de trinta
anos a noticia era totalmente diferente, as preocupações com um mundo
esbaforido e suado, eram neste momento de uma possível nova glaciação e o
cenário neste período era de crise mais uma vez, a Guerra Fria estava
predominando entre Estados Unidos e União Soviética, o petróleo em crise
marcava a decadência dos potentes motores “v8”.
O
mercado automobilístico teve de adaptar-se aos problemas enfrentados pela crise
do petróleo neste período, surgiram novos modelos de carros mais econômicos e
as propagandas traziam o “slogan” da preocupação com o meio ambiente.
Passaram-se
mais trinta anos e a revista Time trouxe no ano de 2006 uma nova manchete, mais
uma vez dizendo o contrário, agora o da capa de 1977. Desta vez a manchete era “Be worried: Be very Worried”, “Estamos
preocupados, muito preocupados” fazendo menção a um urso polar isolado em um
pequeno bloco de gelo no ártico.
Em
pouco mais de meio século, o discurso apresentado pela mídia foi alterado três
vezes, indo de um planeta quente a um planeta frio e voltando a um planeta
quente, inclusive apelando para a foto do urso polar isolado em um pedaço de
gelo e os dizeres de “Estamos preocupado” como verifica-se na figura 01.

Figura 01: Capas da
revista Time com as manchetes sobre a variação climática
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia, Adaptado, Bueno, 2014.
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia, Adaptado, Bueno, 2014.
Fato é que em todos os momentos em que este
tipo de notícia é divulgado, gera na população certo pavor em decorrência do
que as consequências destas alterações climáticas podem trazer.
Para
Molion (2008) as evidencias de que o aquecimento global seja provocado pelo
homem são ínfimas e que existe uma série de outras questões que devem ser
analisadas antes de disseminar que o grande vilão do aquecimento global é o
Co2.
Em
seu trabalho, Molion aponta que verificou-se que a década de 1930 foi mais
quente do que a década de 1990, sendo assim, não havia sido lançado á atmosfera
a mesma quantidade de Co2 nos anos de 1930 do que em 1990. Outro ponto a se
destacar é que não pode-se atribuir ao homem a culpa por todo o Co2 lançado à
atmosfera, pois, apenas uma erupção vulcânica é capaz de lançar toneladas de
Co2.
3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS OPERACIONAIS
Para
a realização deste trabalho primeiramente estabeleceu-se uma breve conceituação
do objeto de estudo da Geografia, ou seja, o espaço no qual o homem cria suas
relações, em outras palavras, o espaço geográfico. Esta perspectiva está em
conformidade à conceituação criada por Santos (1998) que coloca o espaço
geográfico composto pela inter-relação entre sistemas de objetos, sejam eles
naturais culturais e técnicos e os sistemas de ações, relações sociais,
culturais, políticas e econômicas.
Segundo
Ferreira, (2010) o espaço geográfico sofre constantes modificações em virtude
das ações do homem. Ou seja, considera-se o espaço geográfico, ou ambiente no
qual é passível de inter-relação entre os meios técnicos, sociais, culturais e
naturais, ao qual proporciona uma dinâmica global, o espaço geográfico é também
espaço social devido a sua possibilidade de interação (SANTOS, 1995).
Desta
maneira, ao compreender-se o conceito basilar da Geografia, os alunos podem
correlacionar as informações que lhes são transmitidas diariamente, sejam, por
telejornais, rádios, sites, jornais impressos, revistas entre outros meios de
comunicação em massa.
Retrabalhou-se
com o conceito basilar da Geografia que é o espaço geográfico, analisando as
noticias pautadas no aquecimento global e relacionando com os conteúdos de
Geografia compreendendo a ideologia existente na informação sobre o aquecimento
global repassada por um meio de comunicação em massa.
Analisou-se
a interação de fenômenos geográficos como, furacões, vulcanismos, tempestades
tropicais, monções asiáticas, aumento do nível do mar, e estudos de
paleoambietes relacionados ao aquecimento global.
E
para o diagnóstico da concepção de aquecimento global dos alunos do ensino
médio, aplicou-se no início dos trabalhos relacionados a esta etapa do estágio
uma atividade na qual consistiu-se na produção de um texto direcionado, de modo
a identificar-se o conhecimento que os estudantes possuem acerca do tema e
quais as possíveis influências exteriores ao meio acadêmico tiveram para a
formulação desse conceito.
Em
seguida, apresentou-se uma visão mais cientifica do tema, o aquecimento global
apresentado à maneira como um ciclo natural que a Terra executa e que o
principal causador de aumento na temperatura é o Sol. Nesta parte buscou-se
trabalhar mais o local, explorando o que o aluno vivencia em sua prática
cotidiana, ou seja, realizando discussões em que o aluno consiga construir sua
fala a respeito do tema.
Posteriormente,
por meio de recursos multimídia (TV PENDRIVE), apresentou-se a visão cientifica
em detrimento do senso comum, pelo qual se constituiu em argumentos
catastróficos em relação ao aquecimento global. Ao final, os alunos elaboraram
um texto apontando sua visão a respeito do tema.
A
atividade avaliativa foi aplicada já no primeiro dia de aula, visando absorver
do aluno apenas o que ele conhece sobre aquecimento global e que fosse
realizada uma analise da visão que o aluno represente.
Portanto,
a atividade constituiu-se em uma produção de texto com no mínimo 15 linhas e
que abordou os tópicos referentes ao aquecimento global, como: o que é
aquecimento global? Sustentabilidade? Desmatamento? Fontes renováveis de
energia? Emissões de Co2? E o homem como vilão ou vitima no cenário atual das
mudanças climáticas.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os
alunos realizaram a atividade na qual pedia-se para escrever sobre o
aquecimento global e destacaram-se três textos a serem transcritos a seguir:
“Aquecimento global não entendo praticamente nada,
acho que é o aquecimento da terra causado pela emissão de Co2. A terra está
sendo aquecida, já a sustentabilidade é uma forma de nos sustentarmos sem
prejudicar o meio ambiente e ai ocorre o desmatamento. As fontes renováveis de
energia solar nos ajuda a economizar, se não fosse ele nós desmataríamos as
árvores”.
Neste
texto, percebe-se que o aluno não possui alguns conceitos claros, o que poderia
ser melhor trabalhado em sala de aula pelo professor de Geografia e até mesmo
em outras áreas, como o caso da Biologia a Física e a Química.
O
que acontece é que o aluno expressa exatamente o que a mídia coloca nos
veículos de comunicação, pois, o estudante inicia seu texto dizendo que não
entende sobre aquecimento global, mas diz que o mesmo é causado pelo aumento do
Co2.
Dentre
os alunos que realizaram a atividade, a afirmação mais comum encontrada foi de
que “o aquecimento global é causado pelo
aumento de gás carbônico na atmosfera, gerando a intensificação do
efeito-estufa” e entre outras afirmações, “o aquecimento global é causado pelo desmatamento e o aumento da
poluição nos grandes centros”, ou seja, fica explicito em grande parte dos
trabalhos a visão midiática.
Alguns
alunos relacionaram a sustentabilidade ao aquecimento global, como sendo algo
importante para a redução do aumento da temperatura, outros relacionaram o
aquecimento global à: “o aquecimento
global é a poluição do meio ambiente. Taís como: a poluição visual, sonora,
poluição por objetos, como sacolas, plásticos, vidros, isto tudo ajuda aumentar
o aquecimento global”.
Além
dos alunos que possuem uma visão até mesmo alienada em relação ao aquecimento
global, talvez por não souberem filtrar as informações que recebem, existem
alunos que criticam, e pensam que o aquecimento global é: “algo natural que depende de um ciclo que não se quebra”.
Por
fim, após a realização das aulas expositivas apresentando o tema sobre o
aquecimento global, os alunos novamente responderam uma atividade, na qual
propunha novamente uma redação com 15 linhas e relacionando o aquecimento
global, a sustentabilidade e o meio ambiente.
Na
escrita dos alunos, encontrou-se novamente alguns trechos que abordavam ainda
um ponto de vista em que o aquecimento global estava relacionado ao aumento do
Co2, bem como também verificou-se que os alunos compreenderam que existem
correntes que defendem o aquecimento global como um fenômeno climático natural
e ou que tem sido promovido pelas ações humanas. Destaca-se o seguinte texto:
“Acredito que o homem não pode interferir nos
fenômenos da natureza, pois, algo natural depende de um ciclo que não pode ser
quebrado. Dentro do mundo atual, a mídia produz uma influencia relativamente
significativa sobre a população, expondo de uma forma subliminar a culpa do ser
humano em cima do aquecimento global. Diante disso, as programações da TV
aberta criam uma ênfase no desmatamento e na emissão de Co2 pelas fabricas e
industrias. Desta forma, os seres humanos, por sentirem-se vilões acabam criando
novas formas de fonte de energia que não agridem a natureza, como a energia
eólica e a solar. Assim sendo, criam uma sustentabilidade, promovendo a
proteção do meio ambiente sem intervir na maneira de viver da sociedade”.
Deste modo verificou-se uma visão um pouco
diferenciada da primeira afirmativa, quando o aluno dizia-se que não entendia
nada sobre o aquecimento global. Nesta atividade o aluno demonstrou que buscou
novos meios para chegar a um conhecimento mais critico, além do que via apenas
pela TV e passando a entender que a mídia promove uma espécie de
sensacionalismo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao
realizar a correção dos textos verificou-se de imediato que os alunos possuíam
uma visão midiática a respeito do aquecimento global, mas que com a aplicação
da atividade e por meio das aulas expositivas e as atividades aplicadas, os
alunos buscaram novas referencias e procuraram entender sobre o tema além
daquilo que se via apenas na TV ou por outra forma de mídia.
Verificou-se,
portanto, que existe uma deficiência ao se trabalhar com este tema,
principalmente voltado às aulas da disciplina de Geografia, haja vista é um
tema carregado dos conteúdos e que facilmente pode ser trabalhado em conjunto
com outras disciplinas.
6 REFERÊNCIAS
BARBOSA,
Luis Gustavo D' Carlos. O debate sobre o
aquecimento global em sala de aula: O sujeito dialógico e a responsabilidade do
ato frente a um problema sócio científico controverso. Dissertação
Mestrado. Universidade Federal De Minas Gerais Faculdade De Educação Programa
De Pós-Graduação Em Educação, 2010.
BEHRENS,
M. A; MASETTO, M. T; MORAN J. M. Novas
Tecnologias e Mediação Pedagógica. 13ª ed. Papirus Campinas, SP. 2007
CASTROGIOVANNI,
Antônio Carlos. Geografia em sala de aula: práticas e reflexões. 4ed.
Porto Alegre. UFRGS/Associação dos Geógrafos Brasileiros, 2003.
CAZETTA,
Valéria. Novos Rumos da Cartografia
escolar. Currículo, linguagem e tecnologia. Contexto São Paulo, SP. 2011
COLÉGIO
ESTADUAL MARECHAL RONDOM. Projeto Político Pedagógico do Colégio Estadual Marechal Rondon. Campo Mourão, 2007.
FERREIRA,
José Ricardo da Costa. A Geografia das Redes Sociais. Universidade Nova Lisboa. Lisboa, 2010.
Disponível em: < http://web.letras.up.pt/xiicig/resumos/304.pdf> Acesso
em: 10 Ago. 2011.
FEY,
Ademar Felipe. A era da informação e uma
nova maneira de aprender a aprender. 2009. Disponível em:
<http://junior.ftec.com.br/revista/autor/pdf/ademar.pdf>.Acesso em: 20 de
Jun. 2014.
FREIRE,
Paulo, Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa.
São Paulo, Paze Terra, 1996.
FRIGOTTO,
Gaudêncio; CIAVATTA, Maria. A experiência do trabalho e a educação básica.
3ªed. Rio de Janeiro, Lamparina, 2010.
LOPES,
Claudivan Sanches. O professor de
Geografia e os saberes profissionais: o processo formativo e o desenvolvimento
da profissionalidade. São Paulo. USP. 2010.
MOLION,
Luiz Carlos Baldicero. Desmistificando o Aquecimento Global. Instituto de Ciências Atmosféricas,
Universidade de Alagoas. Maceió, 2008.
NUNES,
Adão Cicero Ferreira. As dificuldades de
Ensinar Geografia. 2004. Disponível em:
<http://www.geo.uel.br/revista> Acesso em: 10 de Jun. 2014
OLIVEIRA, Marlene Macário de. A Geografia escolar:
Reflexões sobre o processo didático-pedagógico do ensino. Revista Discente
Expressões Geográficas. Florianópolis – SC, Nº02, p. 10-24, jun/2006
PENTEADO,
Heloisa Dupas. Metodologia do ensino de história e geografia. São Paulo,
Cortez, 1993.
RUA.
João. Para ensinar geografia. Rio de Janeiro. Access, 2005.
SANTOS,
Milton. A natureza do espaço habitado.
São Paulo: Hucitec, 1998.
SANTOS,
Milton. Metamorfose do espaço habitado.
São Paulo: Hucitec, 1998.
SEED
– Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Diretrizes Curriculares da
Educação Básica: Geografia. Governo Federal do Paraná. Curitiba, 2008.
SPOSITO,
Eliseu Savério. Geografia e Filosofia:
Contribuição para o ensino do pensamento geográfico. São Paulo. UNESP,
2004.
WERTHEIN,
Jorge. A sociedade da informação e seus
desafios. Ci. Inf., Brasília, v. 29, n. 2, p. 71-77, maio/ago. 2000.
Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a09v29n2.pdf>. Acesso
em: 10 de Jun. 2014.
[3] De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, Apocalipse significa, grande cataclismo, retirado do quarto livro do Novo Testamento, atribuído a São João e trata-se de uma figura de linguagem obscura.
Trabalho publicado nos anais do III Simpósio Nacional sobre Pequenas Cidades, II Simpósio de Geografia, X Semana de Geografia da UENP e I Mostra do Pibic de Geografia.
Universidade do Norte do Paraná - Campus de Cornélio Procópio - PR.
ISSN 2358-2979






0 comentários:
Postar um comentário