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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A MÍDIA COMO MEIO VEICULADORA DA INFORMAÇÃO E O ENSINO DE GEOGRAFIA: O AQUECIMENTO GLOBAL

BUENO, Ricardo Henrique[1]
SOUZA, Anderson Wesley de Lima[2]


RESUMO
Neste trabalho, realizou-se uma abordagem a respeito das práticas de ensino de Geografia referentes às atividades curriculares do estágio supervisionado no Colégio Unidade Pólo de Campo Mourão - PR no ano de 2012. Buscou-se por meio destas atividades, compreender como os alunos correlacionam os conteúdos de Geografia com informações transmitidas por veículos midiáticos, sejam eles impressos, televisivo ou via internet. A ideia central pautou-se na questão polêmica do aquecimento global, muito amplamente divagada pelos meios de comunicação e em muitos casos sem cunho cientifico. Desta maneira, para a consumação desta pesquisa, realizaram-se aulas expositivas aos alunos apresentando-se os pontos de vista relativos ao aquecimento global. Este, por sua vez, trata-se de um tema complexo e muitas vezes mal trabalhado em sala de aula. Portanto, por meio deste estudo, procurou-se instigar o interesse dos alunos pelos conteúdos de Geografia e associa-los às reportagens transmitidas pela mídia.

Palavras chave: Alunos. Professores. Era da informação.
                                                               
[1]Licenciado e Bacharel em Geografia, Estudante de Pós Graduação em Geografia na Universidade Estadual de Maringá – UEM buenogeography@gmail.com
[2] Licenciado e Bacharel em Geografia, limabacharel@gmail.com
                                                                                      


1 INTRODUÇÃO

A presente pesquisa realizou uma abordagem entorno de um tema amplamente debatido e apresentado às pessoas de modo muitas vezes equivocadamente, que é o aquecimento global. Este assunto é mal interpretado pelos alunos do ensino médio que em muitos casos são levados a conceber como verdade as informações repassadas pela mídia a respeito do fenômeno climático.
Fey (2009) salienta que vive-se a era da informação e necessita-se transformar as informações em conhecimento, Werthein (2000) alerta que “o foco sobre a tecnologia pode alimentar uma visão ingênua de determinismo tecnológico”, ou seja, a sociedade contemporânea conta com inúmeros aparelhos tecnológicos fornecedores de informações e estas informações podem levar a uma interpretação errônea da realidade.
Neste sentido, este artigo resultou-se do cumprimento das atividades da disciplina de Atividades Curriculares de Estágio em Geografia II pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão e teve como principal objetivo entender como os conteúdos da disciplina de Geografia estão presentes no cotidiano dos alunos e são apresentados diariamente por meios veiculadores de informações, tais como a TV, internet, rádios, jornais impressos e revistas.
O estudo pautou-se principalmente em discussões em sala de aula e por meio de atividades que diagnosticaram a princípio como os alunos compreendem o aquecimento global, posteriormente realizaram-se as aulas expositivas e as discussões em sala fundamentando assim, uma base teórica e cientifica aos alunos, pois, as versões transmitidas pela mídia seriam trabalhadas e confrontadas pelos estudos científicos publicados.
Por fim, verificou-se qual a visão previa dos alunos em relação ao tema proposto e comparou-se se houve mudança na concepção dos alunos em relação ao tema trabalhado e se os alunos perceberam como um conteúdo que o professor da disciplina de geografia pode trabalhar é amplamente discutido na mídia.



2 INFORMAÇÃO X CONHECIMENTO

No atual cenário da era da informação, de acordo com Fey (2009) e Cazetta (2011), é necessário que se tome cuidado ao interpretar uma informação e tomá-la como verdade. Em um planeta tomado pelas desigualdades sociais, leva-se vantagem àqueles povos que possuem desenvolvimento econômico elevado, portanto, estes são os que se beneficiam de toda a informação, manipulando e transmitido de acordo com seus interesses econômicos e hegemônicos.
Por conseguinte, deve-se voltar à atenção às sociedades menos favorecidas, em razão das informações que lhes são transmitidas pela mídia corporativista procurando-se encontrar em seus discursos a real intenção e não ser pego em um mundo de alienação e que atenda necessariamente aos interesses do capital.
Observa-se, por exemplo, o motivo de sempre aparecer propagandas de todos os tipos na programação televisiva, ou no meio de uma partida de futebol, procure-se ater as noticias do futebol sempre sendo apresentadas após um escândalo político, ora, cada ação desta está intimamente relacionada aos interesses pessoais ou de empresas que lucram com este tipo de informação repassada. O interessante para os que lucram, é causar desejo pelo produto oferecido na propaganda, e de esquecer os problemas políticos enfrentados pelo país com as noticias do futebol que são apresentadas como a principal distração do povo.
Deste modo, o objetivo das grandes corporações midiáticas é o de formar uma sociedade alienada, na qual esta, aceite como verdade apenas o conteúdo transmitido pelos veículos de comunicação, sem que ao menos façam uma analise crítica destas informações. A frutificação desta ação é gerar o desinteresse das pessoas em buscar o que realmente pauta-se por trás destas ações dos meios de comunicação, sendo que isto reflete-se diretamente nos estabelecimentos de ensino.
Salienta-se aqui o problema enfrentado na atualidade pelo desinteresse pelos conteúdos de geografia, Nunes (2004), Oliveira (2006) e Ferreira et al (2007), ao qual se manifesta a todo o momento por uma grande parte dos alunos das séries finais do ensino fundamental e médio.
Em meio a isso, o aquecimento global passou a ser nos últimos anos algo muito debatido, assim como o crescente apelo pelas questões ambientais. Segundo Barbosa (2010), o assunto tornou-se mais frequente em 2007 pela divulgação do 4º relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas).
Para Barbosa (2010), a repercussão gerada pela divulgação do relatório publicado pelo IPCC foi amplificada nos meses seguintes pela televisão, cinema, rádio, literatura, música, algumas vezes de maneira ambígua e duvidosa, sugerindo atitudes chamadas por alarmistas de catastróficas e oportunistas.
A maioria dos noticiários apresenta como a principal causa do aquecimento global o aumento do gás carbônico (Co2) lançado na atmosfera, desta maneira, muitas empresas beneficiam-se destas informações para produzirem novos produtos que visam à diminuição do Co2 lançado na atmosfera, como é o caso do ramo automobilístico.
Quase diariamente os noticiários apresentam alguma noticia relacionada ao aquecimento global, revistas impressas trabalham a temática, produtos utilizados no cotidiano das pessoas são produzidos em função da diminuição do aquecimento global. O exemplo disso cita-se o mercado automobilístico, pelo qual é crescente o número de veículos produzidos com os chamados selos verdes e os motores híbridos ou ecotec.
Entre outros inúmeros fatores, o aquecimento global lança-se para o senso comum como um possível “apocalipse[3]” e tal tema acaba sendo mal trabalhado no cotidiano escolar, ou até mesmo seguindo aos interesses capitalistas que a atual sociedade vivencia.
O estudo da Geografia ajuda-nos a compreender melhor as alterações que ocorreram e ainda ocorrem no espaço geográfico brasileiro (FERREIRA, 2005), nos dizeres deste autor, compreender a importância em dominar os conteúdos da Geografia para as adaptações do homem relacionadas ao meio onde se inserem.
Pode-se por intermédio das aulas da disciplina de Geografia compreender as interações existentes entre natureza e a sociedade. Neste sentido, a disciplina de Geografia passa a ser um importante meio de obtenção do conhecimento a respeito das relações ocorridas acerca do homem, sejam relacionadas à dinâmica natural do planeta, social e envolvendo a sociedade e a natureza.
A necessidade de entender os fenômenos naturais instiga o homem desde os primórdios, o que muitas vezes levou o homem a desenvolver técnicas e mecanismos que melhorassem a vida das pessoas. O espaço passou a ser considerado o campo de relações entre homem e meio ambiente e do próprio homem consigo mesmo, pois, este é o objeto de estudo da disciplina geográfica, o espaço geográfico é aquele onde ocorrem as transformações, as interações e o desenvolvimento da humanidade acontecem. (SANTOS, 1985).
Sendo a Geografia, uma disciplina que abarca inúmeros fenômenos, os conteúdos desta disciplina são facilmente disseminados pelos meios de comunicação em massa e com isto os alunos estão a todo o momento recebendo informações que podem ser trabalhadas em sala de aula.
Deste modo, o professor estará desenvolvendo o olhar critico do aluno e trazendo a interação dos fenômenos ao mesmo tempo para o aluno, contudo deve-se realizar uma analise detalhada da informação a ser repassada aos alunos, eliminando qualquer informação que venha carregada de ideologia.
Em uma época que a informação se faz tão presente no cotidiano das pessoas, todo o esforço de buscar entender esta, é de fundamental para que não se caia em uma ideologia dominante.
Conforme já mencionado, cada emissora transmite a informação a sua maneira, ou seja, envolto de uma carga ideológica que atenda única e exclusivamente aos seus interesses comerciais.
Segundo Ferreira (2005), todas as ações do cotidiano se desenvolvem no espaço, todo o conhecimento proveniente para organização dos territórios neste espaço circula pelo espaço geográfico, ou seja, há um fluxo de informações que ocorre em nosso meio.
Ainda, de acordo com o autor supracitado, a sociedade da informação depende da capacidade tecnológica para conduzir e receber informações, pois, mesmo na atualidade verificam-se civilizações desprovidas de recursos tecnológicos que possam transmitir informações, ora, pois, pergunte a um seringueiro isolado no interior da Floresta Amazônica o que ele viu no noticiário da noite passada, ou qual foi à previsão do tempo para aquela região em que ele vive? Isto reflete um pouco do poder econômico relacionado ao controle da informação ao domínio das tecnologias.
De acordo com Ferreira (2010) a sociedade vivencia um novo paradigma informacional, desencadeado pelo advento da internet e pelo fluxo de informações que são repassadas constantemente por este meio comunicacional.
As informações que possuem vínculo aos conteúdos de Geografia são inúmeras, sendo transmitidas quase diariamente pelos veículos de comunicação, no entanto, como já mencionado, deve-se tomar cuidado com a carga ideológica apresentada em cada discurso contido na reportagem.
Por exemplo, um acontecimento que ganhou destaque mundialmente, que entrou para a história na visão do senso comum como o maior atentando terrorista da humanidade, o atentado terrorista aplicado pelo grupo Al Caeda aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, pelo qual a mídia noticiou como sendo o maior ataque terrorista de todos os tempos, durante dias com muito destaque no noticiário da TV, enquanto inúmeros outros acontecimentos continuavam a ocorrer no mesmo período sem ter recebido o mesmo destaque pela mídia.
Naquele momento era mais interessante que as pessoas se chocassem com o que acontecia com a nação norte-americana, para que outras situações internas no país estivessem ocorrendo sem maiores contestações por parte da população.
Outra importante analise deve-se realizar considerando-se que os Estados Unidos provocaram destruição em inúmeros lugares do planeta, alterando o espaço geográfico de nações, o que dizer, por exemplo, das 220 mil vitimas fatais de Hiroshima e Nagasaki?
O mesmo ocorre com a atual tendência do aquecimento global. Entende-se que existem correntes de pensamento favoráveis e desfavoráveis ao assunto, no entanto, como é mais viável disseminar a informação voltada para a catástrofe global sem ao menos apresentar ideias que discutam o inverso ao aquecimento por um viés cientifico, o que verifica-se portanto, é uma apresentação sensacionalista sobre o determinado tema.
Outra observação relaciona-se as noticias transmitidas em razão aos casos provocados pelos deslizamentos, adjetivando-se a natureza como furiosa com o homem. Porém, não trata-se de fúria da natureza, apenas de mau planejamento urbano, descaso de autoridades e mau preparo de uma comissão técnica. Sem a devida informação e recursos necessários a boa moradia, a população mais carente acaba indo ocupar áreas impróprias acarretando posteriormente em mortes e destruição.
Deste modo, o que deve-se considerar é que, as chuvas são fenômenos naturais que sempre ocorreram e deslizamentos de encostas são muito mais comuns do que se imaginam e não trata-se de uma tragédia, mas sim o descaso de autoridades, mas, o modo como é transmitida a informação, manipula-se a opinião da sociedade.
Portanto, observa-se que as notícias relacionadas aos conteúdos de Geografia são disseminadas pela mídia a todo instante e torna-se necessário que o professor da disciplina de Geografia conduza um trabalho com seus alunos relacionando os conteúdos basilares do ensino de Geografia com as informações que são repassadas pela mídia, seja a nível local, regional ou como no caso, global e trabalha-las de maneira critica para que os estudantes compreendam a ideologia impregnada na informação transmitida.

2.2 AQUECIMENTO GLOBAL AS CAPAS DE REVISTAS 

O aquecimento global tem-se apresentado como uma noticia catastrófica centrando-se uma discussão polêmica e como o causador de um provável apocalipse. Desta maneira, grande parte das pessoas leigas referente ao assunto vive em pânico com noticias que mostram furacões de grande poder destrutivo, tempestades tropicais e extratropicais relacionadas ao aumento da temperatura global, aumento do nível do mar e consequentemente desaparecimento de áreas litorâneas e arquipélagos, populações inteiras desabrigadas na Ásia devido às chuvas intensas, entre outras mudanças climáticas.
Comumente, estas notícias possuem uma raiz, quase um estigma, o culpado de todos estes transtornos e mortes seria o aumento do nível de gás carbônico lançado na atmosfera, o que por sua vez potencializaria o efeito estufa levando a um total descontrole dos fenômenos climáticos no planeta.
Para Molion (2008) as presunções que fundamentam o aquecimento global ocorrem com base em três hipóteses, pela série de temperatura observada nos últimos 150 anos, pelo aumento concentrado no nível de gás carbônico desde o ano de 1958 e pelos resultados numéricos obtidos pelos simuladores de clima.
A partir destes pressupostos, surgiu-se uma visão catastrófica de que o planeta entraria em colapso climático, sobretudo, Molion (2008) discute criticamente as hipóteses a respeito do aquecimento em seu artigo “Desmistificando o Aquecimento Global”.
Primeiramente, o climatologo questiona o fato de que o homem possa interferir no efeito estufa, sendo não comprovada cientificamente a intensificação do aumento da temperatura média global a partir das atividades humanas.
Os modelos matemáticos gerados pelo IPCC também são facilmente questionados, principalmente por suas previsões serem limitadas e não justificarem as hipóteses do aquecimento global antropogênico, e por fim, o resfriamento do globo paulatinamente tem se tornado mais provável do que o aumento da temperatura, em face do conhecimento que se tem do clima atual e sua variabilidade (MOLION, 2008, p.5).
Molion afirma ainda que o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) apresenta alguns dados contraditórios chegando a afirmar que o planeta passou por momentos de resfriamento e aquecimento em virtude das atividades solares, sendo, segundo, Molion, o principal responsável pela variabilidade climática no planeta.
Ao longo do tempo, em particular no último século, as questões pertinentes à variação climática ganharam um maior destaque, evidenciando-se cada vez mais pela mídia. Exemplo disso é a capa da revista norte americana “Time”, que trazia estampada em sua capa de 1945 a seguinte manchete: “The world is sizzling” “O Mundo está escaldante”.
O contexto nesta época era o final da Segunda Guerra Mundial e a industrialização nos Estados Unidos avançava cada vez mais no cenário mundial, alavancando ainda mais a economia do país. A reportagem fazia menção ao planeta com calor e os acontecimentos desta época levaram as pessoas a acreditarem que as causas daquele calor sentido por elas, tinham suas origens na Segunda Guerra Mundial.
Alguns anos mais tarde, em 1977, a mesma revista trazia em sua capa outra manchete, com os seguintes dizeres: “The big freeze”, em português, “O grande congelamento”, em pouco mais de trinta anos a noticia era totalmente diferente, as preocupações com um mundo esbaforido e suado, eram neste momento de uma possível nova glaciação e o cenário neste período era de crise mais uma vez, a Guerra Fria estava predominando entre Estados Unidos e União Soviética, o petróleo em crise marcava a decadência dos potentes motores “v8”.
O mercado automobilístico teve de adaptar-se aos problemas enfrentados pela crise do petróleo neste período, surgiram novos modelos de carros mais econômicos e as propagandas traziam o “slogan” da preocupação com o meio ambiente.
Passaram-se mais trinta anos e a revista Time trouxe no ano de 2006 uma nova manchete, mais uma vez dizendo o contrário, agora o da capa de 1977. Desta vez a manchete era “Be worried: Be very Worried”, “Estamos preocupados, muito preocupados” fazendo menção a um urso polar isolado em um pequeno bloco de gelo no ártico.
Em pouco mais de meio século, o discurso apresentado pela mídia foi alterado três vezes, indo de um planeta quente a um planeta frio e voltando a um planeta quente, inclusive apelando para a foto do urso polar isolado em um pedaço de gelo e os dizeres de “Estamos preocupado” como verifica-se na figura 01.


Figura 01: Capas da revista Time com as manchetes sobre a variação climática
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia, Adaptado, Bueno, 2014.

 Fato é que em todos os momentos em que este tipo de notícia é divulgado, gera na população certo pavor em decorrência do que as consequências destas alterações climáticas podem trazer.
Para Molion (2008) as evidencias de que o aquecimento global seja provocado pelo homem são ínfimas e que existe uma série de outras questões que devem ser analisadas antes de disseminar que o grande vilão do aquecimento global é o Co2.
Em seu trabalho, Molion aponta que verificou-se que a década de 1930 foi mais quente do que a década de 1990, sendo assim, não havia sido lançado á atmosfera a mesma quantidade de Co2 nos anos de 1930 do que em 1990. Outro ponto a se destacar é que não pode-se atribuir ao homem a culpa por todo o Co2 lançado à atmosfera, pois, apenas uma erupção vulcânica é capaz de lançar toneladas de Co2.


3 PROCEDIMENTOS TÉCNICOS OPERACIONAIS

Para a realização deste trabalho primeiramente estabeleceu-se uma breve conceituação do objeto de estudo da Geografia, ou seja, o espaço no qual o homem cria suas relações, em outras palavras, o espaço geográfico. Esta perspectiva está em conformidade à conceituação criada por Santos (1998) que coloca o espaço geográfico composto pela inter-relação entre sistemas de objetos, sejam eles naturais culturais e técnicos e os sistemas de ações, relações sociais, culturais, políticas e econômicas.
Segundo Ferreira, (2010) o espaço geográfico sofre constantes modificações em virtude das ações do homem. Ou seja, considera-se o espaço geográfico, ou ambiente no qual é passível de inter-relação entre os meios técnicos, sociais, culturais e naturais, ao qual proporciona uma dinâmica global, o espaço geográfico é também espaço social devido a sua possibilidade de interação (SANTOS, 1995).
Desta maneira, ao compreender-se o conceito basilar da Geografia, os alunos podem correlacionar as informações que lhes são transmitidas diariamente, sejam, por telejornais, rádios, sites, jornais impressos, revistas entre outros meios de comunicação em massa.
Retrabalhou-se com o conceito basilar da Geografia que é o espaço geográfico, analisando as noticias pautadas no aquecimento global e relacionando com os conteúdos de Geografia compreendendo a ideologia existente na informação sobre o aquecimento global repassada por um meio de comunicação em massa.
Analisou-se a interação de fenômenos geográficos como, furacões, vulcanismos, tempestades tropicais, monções asiáticas, aumento do nível do mar, e estudos de paleoambietes relacionados ao aquecimento global.
E para o diagnóstico da concepção de aquecimento global dos alunos do ensino médio, aplicou-se no início dos trabalhos relacionados a esta etapa do estágio uma atividade na qual consistiu-se na produção de um texto direcionado, de modo a identificar-se o conhecimento que os estudantes possuem acerca do tema e quais as possíveis influências exteriores ao meio acadêmico tiveram para a formulação desse conceito.
Em seguida, apresentou-se uma visão mais cientifica do tema, o aquecimento global apresentado à maneira como um ciclo natural que a Terra executa e que o principal causador de aumento na temperatura é o Sol. Nesta parte buscou-se trabalhar mais o local, explorando o que o aluno vivencia em sua prática cotidiana, ou seja, realizando discussões em que o aluno consiga construir sua fala a respeito do tema.
Posteriormente, por meio de recursos multimídia (TV PENDRIVE), apresentou-se a visão cientifica em detrimento do senso comum, pelo qual se constituiu em argumentos catastróficos em relação ao aquecimento global. Ao final, os alunos elaboraram um texto apontando sua visão a respeito do tema.
A atividade avaliativa foi aplicada já no primeiro dia de aula, visando absorver do aluno apenas o que ele conhece sobre aquecimento global e que fosse realizada uma analise da visão que o aluno represente.
Portanto, a atividade constituiu-se em uma produção de texto com no mínimo 15 linhas e que abordou os tópicos referentes ao aquecimento global, como: o que é aquecimento global? Sustentabilidade? Desmatamento? Fontes renováveis de energia? Emissões de Co2? E o homem como vilão ou vitima no cenário atual das mudanças climáticas.


4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os alunos realizaram a atividade na qual pedia-se para escrever sobre o aquecimento global e destacaram-se três textos a serem transcritos a seguir:
“Aquecimento global não entendo praticamente nada, acho que é o aquecimento da terra causado pela emissão de Co2. A terra está sendo aquecida, já a sustentabilidade é uma forma de nos sustentarmos sem prejudicar o meio ambiente e ai ocorre o desmatamento. As fontes renováveis de energia solar nos ajuda a economizar, se não fosse ele nós desmataríamos as árvores”.
Neste texto, percebe-se que o aluno não possui alguns conceitos claros, o que poderia ser melhor trabalhado em sala de aula pelo professor de Geografia e até mesmo em outras áreas, como o caso da Biologia a Física e a Química.
O que acontece é que o aluno expressa exatamente o que a mídia coloca nos veículos de comunicação, pois, o estudante inicia seu texto dizendo que não entende sobre aquecimento global, mas diz que o mesmo é causado pelo aumento do Co2.
Dentre os alunos que realizaram a atividade, a afirmação mais comum encontrada foi de que “o aquecimento global é causado pelo aumento de gás carbônico na atmosfera, gerando a intensificação do efeito-estufa” e entre outras afirmações, “o aquecimento global é causado pelo desmatamento e o aumento da poluição nos grandes centros”, ou seja, fica explicito em grande parte dos trabalhos a visão midiática.
Alguns alunos relacionaram a sustentabilidade ao aquecimento global, como sendo algo importante para a redução do aumento da temperatura, outros relacionaram o aquecimento global à: “o aquecimento global é a poluição do meio ambiente. Taís como: a poluição visual, sonora, poluição por objetos, como sacolas, plásticos, vidros, isto tudo ajuda aumentar o aquecimento global”.
Além dos alunos que possuem uma visão até mesmo alienada em relação ao aquecimento global, talvez por não souberem filtrar as informações que recebem, existem alunos que criticam, e pensam que o aquecimento global é: “algo natural que depende de um ciclo que não se quebra”.
Por fim, após a realização das aulas expositivas apresentando o tema sobre o aquecimento global, os alunos novamente responderam uma atividade, na qual propunha novamente uma redação com 15 linhas e relacionando o aquecimento global, a sustentabilidade e o meio ambiente.
Na escrita dos alunos, encontrou-se novamente alguns trechos que abordavam ainda um ponto de vista em que o aquecimento global estava relacionado ao aumento do Co2, bem como também verificou-se que os alunos compreenderam que existem correntes que defendem o aquecimento global como um fenômeno climático natural e ou que tem sido promovido pelas ações humanas. Destaca-se o seguinte texto:
“Acredito que o homem não pode interferir nos fenômenos da natureza, pois, algo natural depende de um ciclo que não pode ser quebrado. Dentro do mundo atual, a mídia produz uma influencia relativamente significativa sobre a população, expondo de uma forma subliminar a culpa do ser humano em cima do aquecimento global. Diante disso, as programações da TV aberta criam uma ênfase no desmatamento e na emissão de Co2 pelas fabricas e industrias. Desta forma, os seres humanos, por sentirem-se vilões acabam criando novas formas de fonte de energia que não agridem a natureza, como a energia eólica e a solar. Assim sendo, criam uma sustentabilidade, promovendo a proteção do meio ambiente sem intervir na maneira de viver da sociedade”.
 Deste modo verificou-se uma visão um pouco diferenciada da primeira afirmativa, quando o aluno dizia-se que não entendia nada sobre o aquecimento global. Nesta atividade o aluno demonstrou que buscou novos meios para chegar a um conhecimento mais critico, além do que via apenas pela TV e passando a entender que a mídia promove uma espécie de sensacionalismo.


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao realizar a correção dos textos verificou-se de imediato que os alunos possuíam uma visão midiática a respeito do aquecimento global, mas que com a aplicação da atividade e por meio das aulas expositivas e as atividades aplicadas, os alunos buscaram novas referencias e procuraram entender sobre o tema além daquilo que se via apenas na TV ou por outra forma de mídia.
Verificou-se, portanto, que existe uma deficiência ao se trabalhar com este tema, principalmente voltado às aulas da disciplina de Geografia, haja vista é um tema carregado dos conteúdos e que facilmente pode ser trabalhado em conjunto com outras disciplinas.


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[3] De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, Apocalipse significa, grande cataclismo, retirado do quarto livro do Novo Testamento, atribuído a São João e trata-se de uma figura de linguagem obscura.  
                                                       
Trabalho publicado nos anais do III Simpósio Nacional sobre Pequenas Cidades, II Simpósio de Geografia, X Semana de Geografia da UENP e I Mostra do Pibic de Geografia. 
Universidade do Norte do Paraná - Campus de Cornélio Procópio - PR.
ISSN 2358-2979

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